Atualizações (desnecessárias) de minha nova vida mineira

- A capital mineira é linda;

- Os mineiros são, de modo geral, muito educados, gentis e solícitos;

- Viver em um hotel, ainda que seja daqueles que tem cozinha e sala, ainda que seja temporariamente, é algo que pode ser cansativo e engordante – tô morrendo de saudades do meu ateliê, da minha máquina de costura;

- Viver em um hotel e querer lavar louça, esfregar meia e organizar as coisas ao redor transformou-se em uma pergunta sem resposta;

- Não estou com saudades de cozinhar todos os dias (espertinha eu, né?!);

- As crianças estão adorando a vida por aqui. Por enquanto, nem sentiram a mudança – acho só que estão um pouco cansados um do outro, mas, até aí, acho normal, já que irmãos são irmãos, né…

- Olhar dezenas de apartamentos pela internet, ligar em dezenas de imobiliárias, visitar dezenas de apartamentos. Ainda não sei se isso é legal (procurar sua casa é sensacional), se é cansativo, se era para eu escolher em uma semana, se devo ser paciente e esperar por algo que eu ache incrível, maravilhoso…

- Quando tem jogo do Atlético, a cidade fica muda e parada como em jogo da copa. Só que quando o Galo faz gol, me sinto dentro do estádio, toda a cidade grita, todos cantam o hino em coro. Sério. Entendi porque meu marido é atleticano fanático;

- É difícil montar um mapa mental de uma cidade em que vc nunca esteve antes;

- A melhor coisa que pude fazer para lidar com a mudança – já que eu gostava muito do Rio – foi não criar expectativas. Não criei e me surpreendi para o bem. Que sotaque gostoso, que cidade linda, que povo apaixonante!

Imagem do Site cidadedebh.com

Mudanças, insônia e a saudade de escrever mais

Vamos mudar. Mais uma vez. De cidade, de estado. Ainda não é de país. Em um mês, deixaremos a cidade maravilhosa.

Tenho tido insônia. Nem sei se é insônia mesmo. Acho que é mais falta de vontade de dormir. Sabe? Quando você até sente que precisa deitar, mas sua cabeça não para e a cama não está tão convidativa? Provavelmente, é por causa da mudança.

Cidade nova, totalmente desconhecida para mim, apesar das várias ótimas recomendações que tive. Encaixotar, procurar casa, achar escola, fazer novas amizades. Tudo com um frio na barriga gostoso, mas bem mais preguiçoso do que quando tinha dez anos e dois filhos a menos…

A nossa Maria

A nossa Maria

Eu tenho tido ideias para posts dia sim, dia não. Mas não tenho conseguido chegar a essa página da minha internet. Primeiro, porque, agora, estou em um projeto – que amo muito: a Dona Maria das Artes. Eu e uma amiga juntamos nossos dotes artesanais e agora fazemos muitas coisas em tecido, mas, principalmente, bonecas de pano. Bonecas de dia, bonecas de noite. Pernas de bonecas, vestidos de bonecas, cabelos de bonecas. Dia e noite. É apaixonante. E aí, eu acabo dedicando parte do meu dia a filhos/casa/marido e a outra parte, às bonecas. É sério, elas são fofas demais. Você pode nos encontrar aqui, na nossa loja do Elo7, ou aqui, na nossa fan page do Facebook.

E entre bonecas, filhos, casa, mudança, pouco escrevo. Quero escrever sobre tudo o que tenho descoberto sobre alimentação industrializada e o que tenho feito sobre isso. Quero escrever mais sobre esse machismo baixo e sem vergonha, disfarçado de “tudo pode no casamento”. Quero escrever sobre a minha pequena estar doente ou o meu moço já estar lendo. Quero escrever sobre as impressões que o Rio de Janeiro me deixou. Mas, não escrevo. Ao menos, eu podia aproveitar melhor a minha insônia.

Por que mesmo eu passei a escrever tão pouco se isso é uma das coisas que me mantém sã?

O significado que damos às coisas

Comecei a pensar nisso quando meu marido, arrumando a bagunça da mudança, começou a rir das coisas que guardo. Não sou uma acumuladora, mas gosto muito de guardar pequenos objetos e papéis que contam a minha história. Devem dar, juntos, umas 3 ou 4 caixas de sapato.

Depois, pensando na polêmica que surgiu em torno do último post – A dor do desmame – em algumas comunidades do FB, cheguei à mesma conclusão. Cada um atribui um significado diferente às mesmas coisas. E aí lembro-me de uma história da qual gosto muito:

Três cegos foram a um mestre discutir o que era Deus. Eles não conseguiam entrar em um acordo. O mestre, então, coloca-os próximo a um objeto e pede que cada um o descreva e diga o que é. O primeiro disse que era uma cobra; o segundo, uma árvore; e o terceiro, um grande vaso de argila. O mestre, então, lhes conta que o objeto era, na verdade, um elefante. Cada um sentia uma parte, por isso não tinham dimensão do que era o todo, mas todos falavam do mesmo ser.

Preenchida com nossos significados

Acho que as nossas atitudes, os nossos objetos (e tudo o que for humano – das religiões à cultura), são, na verdade, algo que enxergamos do nosso modo. Nós atribuímos um significado e passamos a querer que o outro enxergue o mesmo.

A minha caixa, o modo como lido com a amamentação, a maneira como enxergo a vida vão possuir um significado diferente daquele atribuído por outras pessoas. E nem por isso as coisas tem um valor maior ou menor. Apenas distinto.

Refletir sobre isso acabou me trazendo uma absurda tranquilidade. Me senti mais plena, mais leve e mais plural… afinal de contas, como é bom viver na diversidade.

(Ah, e eu não deixei maridão jogar meus tesourinhos fora… só as tralhas)

No meio do caminho havia uma mudança

É assim, quando a gente descobre algo, vem a tal da pedrinha no meio do caminho. Nem sempre é pedra, nem sempre é sinônimo de algo ruim. Muitas vezes, são só pequenos desvios…

Antes de mudar de cidade, me dei conta do que quero fazer como meio de vida como ganha pão: escrever. Com a frase “o dia em que não escrevo, enlouqueço”, percebi, na terapia, que eu devia tornar isso mais real…

Faltam 3 caixas, 2 malas e os livros espalhados no chão do escritório

Mas, aí, veio a mudança; e não é que foi uma só, rápida, caminhão de lá para cá. Foi tenso. Mudamos para um hotel. Levei poucas coisas, mas suficientes para os 3 meses a que tínhamos direito. Com uma criança de 4 anos e um bebê de 5 meses na época, fomos morar em um quarto de cerca de 15 m². Três meses diferentes. O dia todo com as crianças, pouco tempo pra mim, perto da praia, sem a possibilidade de frequentá-la diariamente devido às dificuldades em levar um bebê pra areia. Três meses engordando 10 quilos…

E, nesse meio tempo, encontrar uma casa e uma escola em uma cidade desconhecida. Aprender caminho, ir parar em comunidades, ficar presa no trânsito, aprender a lidar com um novo jeito de ver a vida. Então, caminhão de mudança e muita, muita arrumação, já que temos mais coisas do que espaço.

Por isso que, assim, desse jeito, apesar de ter descoberto o que amo fazer, não o tenho feito. Entro rapidamente nas redes sociais, posto poucos textos por aqui, entro quase nunca nos blogs que amo frequentar.

Agora são meia-noite e meia. Dei uma pausa na organização da cozinha para vir aqui um pouco. Só pra me explicar, só para desabafar, para não enlouquecer. Depois, pretendo escrever sobre as várias lições que tenho aprendido nessa abençoada terra carioca (que passei a amar incondicionalmente).

Sobre a mudança para o Rio de Janeiro e a gentileza carioca

Há quase 3 semanas, eu, pequenos e marido mudamos para o Rio de Janeiro.

Sempre mudei muito de cidade, de casa, mas sempre estive perto de um familiar próximo, como mãe, pai, irmã. Agora, mudamos de estado e viemos para uma cidade em que não conhecemos muitas pessoas.

Logo que tivemos a notícia de que mudaríamos para cá, a reação foi bem tabelada e pré-conceiturosa: Rio? Mas lá não é muito violento? Falava-se como se os traficantes andassem com metralhadoras nas ruas e todos os dias houvesse troca de tiros com a polícia, ou entre eles.

DSC06934Chegar em uma cidade que você não conhece nada além dos cartões postais é um pouco assustador. Os primeiros dias foram tensos, sem saber por onde andar, sem conhecer a direção, nem o nome das ruas.

Aos poucos, temos passeado bastante, batendo bastante perna e ousando ir para lugares diferentes dos cartões postais. Bem rapidamente, estamos cada vez mais apaixonados por essa cidade, sim, maravilhosa. É muito bom morar em lugar em que você enxerga tanto verde, em que os bairros são arborizados, a praia está próxima, a vida exala saúde.

A característica que mais me chamou a atenção por aqui foi a gentileza. Onde quer que a gente vá, encontro exemplo de pessoas gentis. Como tenho passeado muito só eu e os pequenos, tenho sido muito ajudada. Empurrar carrinho de bebê e dar a mão ao pequeno, por exemplo, não é muito fácil. Mesmo assim, tem sempre alguém gentil para me ajudar. Infelizmente, onde eu morava, me vi muitas vezes em apuros, grávida, com o meu mocinho de perna quebrada e ninguém que se oferecia para ajudar. Já vi mais demonstrações de gentileza aqui em 3 semanas do que nos 5 anos que morei em Ribeirão. E, olha, eu realmente não estou exagerando.

Ainda vou escrever mais posts sobre a mudança, a cidade nova e a experiência de morar em um quarto de hotel. Por enquanto, era só para elogiar os cariocas gentis.