Muitos acham o cúmulo da bobeira gostar de filmes e livros como “Harry Potter”, “Star Wars”, “Senhor dos Anéis” e etc. Pode até ser. Mas eu sou apaixonada por histórias como essas e eu explico porquê.
Parecem distantes. A trajetória dos heróis – cheias de conflitos internos, batalhas árduas e lutas com seres do mal -, por mais fascinante que seja, nunca estaria próxima da nossa realidade. Os heróis, o mal, as lutas, tudo sempre distante daquilo que vivemos cotidianamente. (O antropólogo Joseph Campbell descreve esta trajetória, uma explicação da Wikipédia aqui)

Ilustração Juliana Camargo
Eu vou na direção contrária: acredito que histórias como essas, assim como os mitos, na verdade, representam as nossas batalhas internas. O problema é que, no dia-a-dia, não tomamos consciência do que se passa dentro de nós. Mas todos os dias, o tempo todo, estamos lutando internamente. A cada decisão, a cada palavra, um lado nosso vence o outro. A cada angústia, a cada sentimento, nos aproximamos daqueles heróis da ficção.
Meu exemplo pode parecer mais bobo ainda. Todos os dias, eu luto comigo mesma sobre minha decisão de não trabalhar. Todos os dias sinto uma força interna tentando me derrubar. Todos os dias preciso manter o pensamento firme nos meus propósitos para que eu não me esqueça quem eu sou e o que vim fazer aqui (no mundo). Tem dia que perco, tem dia que venço.
É bem lógico que há maldade no mundo. Mas o mal está, em primeiro lugar, dentro de nós. Podemos ser o diabo ou o nosso próprio Darth Vader ou ainda Sauron, ou Lord Voldemort. A maldade começa em nossos pensamentos. Por outro lado, carregamos conosco os heróis, o bem, a força, a magia, o divino. E a cada pensamento, a cada ação, fortalecemos um, enfraquecemos o outro.
Do simples falar mal dos outros, passando pelas grosserias, machucando nós mesmos ou o outro, fazendo ou não nosso trabalho, nossas decisões estão muito próximas daquelas feitas pelos heróis. As batalhas homéricas descritas em cada história representam aquilo que ocorre dentro de nós sem percebermos.
Amo essas histórias porque elas me fortalecem. Elas me lembram dos meus heróis internos. Quando tomamos consciência, fica mais fácil enfrentar os fantasmas, as angústias, os medos, tomar decisões.
Amo essas histórias justamente porque elas nos lembram que os heróis estão dentro de nós. Acredito que o mundo seria muito melhor se tivéssemos mais consciência disso.
