Dramas de uma mãe sem os filhos

Eu sei que os pequenos irem antes vai ser importante. Eu sei que tenho que aproveitar esta semana sozinha. Mas, mesmo assim, não deixa de doer, eu não deixo de chorar, eu não deixo de ter aquele medo absurdo de nunca mais vê-los. É só uma pequena crise de pânico, é só um drama pequeno. Ainda assim, como dói pensar que vou ficar longe deles.

Tagarelices e o silêncio

Quando eu era pequena, minha mãe dizia que meus filhos demorariam a falar, porque eu não daria tempo a eles para isso. Imagina o quanto eu tagarelava…

Realmente, sempre fui tagarela, de falar pelos cotovelos. Mas não sei se foi a idade, a vida, os hormônios, os filhos. Fato é que aprendi a ficar mais em silêncio.

A praga da minha mãe, graça ao bom lord, não pegou (\o/). Na verdade, algo curiosamente contrário aconteceu. Não sou uma mãe que passa o tempo todo falando com os filhos. Sabe, aquelas que não dão sossego nem um minuto à criança? Então, não sou assim. Como boa mãe, o que sentia em relação a isso, adivinha?!, era culpa. “Poxa, que tipo de mãe eu sou que, ao dirigir – por exemplo -, não fico conversando com meus filhos?”

Daí que, ontem, enquanto levava as crianças para a escola, mergulhados todos naquele silêncio, me dei conta de que eu realmente não preciso me sentir culpada por isso. Gente, olha o que estou ensinando a eles – o poder de, às vezes, ficar em silêncio! E se isso pode parecer estranho, às vezes, acho que o que tem faltado mesmo nesse mundo tão moderno, tão movimentado, é um pouco de quietude. Um pouco de oportunidade de ficarmos conosco mesmo.

Incoerência

Olha a incoerência.

Contratei uma babá para vir aqui em casa, uma vez por semana, ficar com meus filhos. A proposta era para que eu tivesse mais tempo para mim mesma ao menos 1 dia na semana. Ao contrário do que eu esperava, ao invés de gozar do dia livre, passei a aproveitá-lo para limpar a casa com mais afinco, já que não tenho uma ajudante de limpeza. Não é uma incoerência, já que eu faço isso (limpar) todos os dias?

A sensação que tenho é que, por mais que eu fale, por mais atitudes que eu penso tomar para manter-me sã diante desta vida de dona-de-casa, mais eu me prendo à rotina doméstica. Busca por emprego, tentativas de escritas de contos, procura por alunos, contratar babá, contratar ajudantes… cada semana arrumo uma “mudança” para que eu consiga fazer coisas para mim. Na prática, o que há é que não consigo sair deste ciclo. Continuo fazendo o de sempre. Não sei se é porque ainda me sinto muito ligada aos meus filhos pequenos, não sei se é medo de enfrentar uma rotina de trabalho novamente (que acabaria por me distanciar um pouco dos pimpolhos), não sei se é medo de enfrentar uma nova área de atuação.

O que sei é que estou em um ciclo que não consigo sair. Agora que me dei conta, será que consigo mudar a direção da roda?

Um dia para recordar sempre

Estava a pouco assistindo no canal Discovery Home & Health o programa “Um parto por minuto”.  A enfermeira relatava como é trabalhar com partos em um hospital tão grande, quando disse algo muito verdadeiro e bonito:

“A gente se esquece da maioria dos dias de nossas vidas. Entretanto, há um dia que as mulheres não se esquecem: o do nascimento de seus filhos. Elas se lembram da dor, da alegria, do nervosismo, lembram-se da primeira vez que seguraram seu filho no colo.”

É verdade. Lembro-me perfeitamente do dia do nascimento de cada um de meus filhos. As lembranças começam acho que antes daquele dia específico – começam quando senti que eles estavam para nascer.

Encontro inesquecível

Encontro inesquecível

Lembro-me do nervosismo que passei com o Cauê e de como me senti frustrada com a cesárea, lembro da tensão durante o parto, dos bigodes do anestesista e da força que minha irmã me deu, a agonia enquanto o esperava no quarto e da alegria ao vê-lo pela primeira segunda vez ao chegar para mim no quarto. Meu primeiro pensamento foi: “Este nenê tão lindo é realmente meu? Agora, eu tenho um bebê só para mim!”

 

No parto da mais nova, foi quase tudo diferente. Eu estava esperando pelo parto

Encontro inesquecível

normal, já estava com quase 42 semanas e sentia contrações desde a 37a. Não havia mais como esperar, não havia como induzir. Eu precisei me acalmar diante de toda as expectativas que criei para ter um parto normal e decidir pela cesárea de última hora. A médica, diferentemente do obstetra anterior, me explicou tranquilamente como seria e fez de tudo para que fosse, apesar de uma cirurgia, o mais humanizado possível. Deu muito certo. Meu marido assistiu ao calmo, tranquilo e feliz parto. Lembro-me de tentar amamentar a pequena ainda na sala de parto. Lembro-me de segurá-la, pouco tempo depois, já no quarto, pela primeira vez. 

Os dois momentos foram mágicos, intensos e muito inesquecíveis. As sensações passam por mim tão fortes quanto no dia. E é engraçado, porque, no momento em que a enfermeira da TV falava, pensei que não era verdade. Meu casamento, por exemplo, também foi inesquecível. Mas, aí, eu tentei me lembrar de todos os detalhes, assim como dos nascimentos, e muita coisa me fugiu à mente. Ela tem razão. Bonito foi o modo como terminou a frase, dizendo que era emocionante e gratificante demais poder participar deste momento na vida de tantas mulheres.

Por que nossos filhos nos amam? – ou “Aceite seus limites”

No começo do ano, escrevi um texto sobre a gente aprender a aceitar os nossos limites como mãe e aceitar “A mãe que posso ser“. Esse parece ser um assunto que nunca se acaba e, vira-e-mexe, passamos por situações em precisamos nos lembrar disso.

Eu não sei exatamente por que, mas, às vezes, tenho muito medo de meu filho não me amar o suficiente, quer dizer, perder o vínculo.

Parece que, como um namorado ao descobrir nossos defeitos, ele deixará de nos amar e não vai mais querer ficar pertinho (eu sei, Freud, eu sei).

A verdade é que, primeiro, ele vai, sim, descobrir nossas falhas e, segundo, ele vai, sim, também se afastar de nós um dia (em uns 18 anos, por favor). (eu sei, Freud, eu sei)

Filhos, assim que aprendem a comer, andar e, principalmente, falar, “descobrem” nossas fraquezas e as testam diariamente – seja na alimentação, no comportamento, no sono e por aí vai…

Quando essa angústia bate, deixamos de pensar no porquê dos filhos nos amarem. Você sabe por que seu filho te ama?

A nossa entrega

Eles nos amam porque decidimos gerá-los e recebê-los nessa vida (em alguns casos, “somente” recebê-los). Eles nos amam porque os alimentamos e, independentemente do tipo de aleitamento, lançamos aquele olhar de profundo amor sobre eles. Nós os mantemos limpos e cheirosos. Eles nos amam porque nos entregamos a eles – cada mãe com a entrega possível. Eles nos amam porque abrimos mão de muitas coisas por eles. Nos amam porque colocamos limites (umas mais, outras menos); e porque atendemos a certos pedidos especiais que só as mães compreendem (do colinho para o bebê ao chamego para os mais velhos). Eles nos amam pelos beijos nos dodóis, pelos cuidados quando estão doentes – e quando não estão, também. Eles nos amam porque nos esforçamos ao máximo para que eles sejam pessoas felizes.

Acredito que, antes de nascer, nós escolhemos nossa família. Isso muda tanto o olhar. A história de “não pedi para nascer” torna-se “você me escolheu como mãe e foi por um bom motivo”!

Então, por fazermos tanto por eles, por termos sido escolhidas, deveríamos respeitar nossos limites e deixar de se sentir tão culpadas por aquilo que não conseguimos, ou podemos, realizar. Não importa o tipo de parto que você teve, nem quanto tempo conseguiu amamentá-lo, muito menos se você não é o tipo que passa horas brincando no chão ou não consegue/não quer dar todos os brinquedos do mundo para seus filhos.

Nós temos nossos defeitos, temos muitas falhas. Mas eles também têm. Aceitar isso em nós mesmas é dar a oportunidade a eles de aprenderem que devemos amar as pessoas como elas são – e não como nós gostaríamos que elas fossem. Ainda assim, esses pequenos são a expressão do “amor puro”, do “amor divino” e conseguem nos amar nas situações mais difíceis e complicadas – que dirá quando somos pessoas que se dedicam tanto!

Amigas mães, vamos parar de nos torturarmos tanto por amar nossos filhos? Eles nos amam e sempre vão nos amar. Estamos dando nosso melhor e, mesmo que não seja perfeito (porque não é), não vai adiantar muito sermos mães que não amam a si mesmas.