A injeção. (Ou “a falsa corajosa”)

9 mai

Sempre fui eu que levei meus filhos para tomarem vacina, fazer inalação, tomar injeção e outras dessas coisas em que precisamos respirar fundo e pensar no bem maior que estamos proporcionando. E sempre me senti super tranquila e confiante.

Respira fundo!

“Filho, vai doer um pouco, mas passa e, se você tiver vontade, chore…” Digo o mesmo para os dois, desde bebezinhos. Acho que foi isso que fez com que, Cauê, aos quase 5 anos de idade, não chore com injeção nenhuma. Nem para tirar sangue. Ele é amado, idolatrado em cada posto de saúde que passa… “Ai, devia ter filmado, porque não dá para acreditar” dizem as enfermeiras, orgulhosas do menininho sorridente. Até a Nina, que tem 1 ano, chorou quase nada na vacina da semana passada.

Daí que meu pequeno corajoso é muito alérgico. Tanto que tem várias restrições alimentares e, principalmente, tem a famosa super alergia à poeira. Daquelas que já tivemos que correr na madrugada para o bonito tomar adrenalina, com a garganta fechando. Então, para tratar dessa fofa, fomos a uma alergologista – a médica mais fofa e carinhosa que já conheci – e decidimos começar um tratamento com vacinas. O tratamento é longo, não muito barato, mas toda tentativa é um passo para o bem-estar do pequeno.

A médica me explica: “nos primeiros dois meses, é uma vacina por semana. Depois, uma a cada 14 dias, mais adiante, uma a cada 21 dias, etc. Se você quiser, você pode trazê-lo aqui ou pode aplicar a vacina em casa.” Respondi, toda cheia de coragem, que eu mesma, então, aplicaria a vacina em casa. Porque, convenhamos, em uma cidade grande, não é lá muito fácil ficar rodando com duas crias a tira colo, não é mesmo?

Ai, ai… Hoje foi o dia da primeira vacina em casa. Amigos, estou tremendo até agora. Como se cria coragem para ser a pessoa que vai colocar uma agulha – A-GU-LHA (que, por mais que jurem que é a menor, especial para crianças, é absurdamente grande para uma mãe da área de humanas) – no seu próprio filho? Respirei fundo. Coloquei o moleque ao meu lado. Fiz um teste antes de como eu faria, mas sem a agulha. Respirei fundo. Disfarcei a tremedeira. Cauê, sentindo meu nervosismo, também ficou nervoso: “Tô com medo, mamãe” (Buáááááá, eu também, filho, vamos chamar a moça? Buááááá) “Vai dar tudo certo, meu amor” sorrio, amarelo. Respiro fundo, pego a pele e, plum!, a pele é um pouco mais “densa” do eu imaginava, aplico a vacina. Cauê reclama de dor. “Pode chorar, meu amor, a gente sabe que dói um pouquinho.” Cauê chora. Eu não posso chorar. Tenho que mostrar para ele que sei o que estou fazendo (oi?). E venho chorar aqui…

Buááááááá. Gente… toda semana vou ter que ter essa coragem!!! Buááááá. Como? Como? Será que a gente se acostuma?

 

Tags:, , ,

Sobre trabalhar, pedir e mendigar

7 mai

Decidi voltar a trabalhar. Minha pequena já está quase andando, as contas também, assim como a minha necessidade interna em voltar àquela dinâmica boa que não tenha como centro casa, roupas, panelas e crianças. Essas continuarão, mas não serão mais únicas.

Daí que decidi mudar de área. Decidi que quero como profissão algo que eu me faça escrever. Sempre, todo dia. Formada em Letras, 7 anos dedicados à sala de aula, não tenho experiência alguma na área, exceto pelo blog. Só muita vontade mesmo de trabalhar. Então, por falta de um “networking”, ou um Q.I. (vulgo “quem indica”), coloquei meu currículo e minhas pretensões em vários sites de emprego.

Semana passada, um ou dois dias depois do cadastro, recebi um telefonema de uma empresa. Queriam marcar uma entrevista, mas não sabiam me dizer para que vaga ou qual o salário. Somente que queriam fazer uma entrevista comigo. Nunca participei desses processos, sem saber exatamente o que encontrar, marquei uma hora e fui. Linda, feliz, sem esperanças, mas cheia dessa energia boa de “algo está acontecendo”.

A gente sempre desconfia quando chega a um lugar e ele é bem diferente do que tínhamos imaginado. Uma sala pequena, abarrotada de pessoas diferentes umas das outras, com o ar-condicionado quebrado e nenhuma janela, me deixou com aquela pulga. Depois de um vai-e-vem de pessoas entrando e saindo de outras salas, sempre fora da ordem de chegada e com um atraso absurdo, um rapaz perdeu a paciência e foi tirar satisfação com a secretária. Um minuto depois, foi chamado. Mais dois minutos, ele voltou da parte interna revoltado, falando bem alto o quanto aquilo era uma enganação e uma perda de tempo. Todos os que estavam na salinha deixaram seus silêncios e passaram a conversar. Nenhum sabia a que vaga concorria, tinham cadastrado o currículo na internet, assim como eu, e foram chamados em seguida. Todos ansiosos, esperançosos, gastando seu dia por aqueles minutos. A minha hora também passou, também fui pedir para ser atendida – a secretária quis marcar a entrevista para outro dia, mas eu recusei – e logo fui chamada.

Não entendo de RH. Não entendo de empresas que recolocam as pessoas no mercado. Por isso, segui o protocolo e conversei com a funcionária que me chamara. Aquela era uma empresa que presta serviços a empresas de RH. Se a vaga surgisse, meu currículo seria encaminhado. Não era uma entrevista propriamente dita. Ela pouco perguntou, me falou da sua fome e do cansaço. Me pediu que eu enviasse uma carta de apresentação para a possibilidade de vagas que aparecessem. Quando saí, as pessoas do hall me perguntaram se ela havia me cobrado alguma coisa. Não, até porque havia um formulário que usava termos como “custo zero”. Pois outra moça acabara de sair revoltada por lhe cobrarem e aceitarem, inclusive, cartões de crédito.

A sensação que tive? Um conjunto de oportunistas querendo tirar dinheiro de pessoas que querem trabalhar. A impressão é que pedir emprego e mendigar tornaram-se sinônimos (e, agora pouco, procurando no dicionário Houaiss, descobri que podem ser). Algumas dessas empresas de emprego são muito irresponsáveis! Como é que elas fazem com que as pessoas percam tanto tempo e dinheiro para irem até ali? Se não há vaga, se o perfil não é exatamente aquele, como é que marcam essas entrevistas? Pelo que percebi conversando com os outros candidatos é que esta não é a única que faz isso. Muitas empresas tratam as pessoas como se elas fossem coitadas, ou idiotas.

Que fique claro, ao procurar um emprego, eu não estou implorando. Não quero que tenham pena do meu ser e me deem um emprego qualquer. Colocar-se disponível no mercado de trabalho é oferecer os próprios dons, as próprias habilidades a outros que as necessitam. Trabalho é uma troca, não um favor, de nenhuma das partes. Mesmo que eu não tenha experiência na área, mesmo que eu não saiba exatamente o que vou encontrar, ainda que eu precise daquele trabalho. É preciso tratar as pessoas com um pouco mais de dignidade, com muito mais honestidade. Ou só quem tem um Q.I. não é um “coitado”? Procurar por vagas na internet, precisar arrumar um emprego para sobreviver, colocar-se à disposição é mendigar?

P.S.1: Não conheço empresas de RH, por isso, não generalize. Falo de gente desonesta e oportunista.

P.S.2: Se você tem alguma dica para me dar sobre essa minha nova empreitada, agradeço!

P.S.3: Vou ter que escrever um post sobre a época em que eu lecionava. Alguns ex-alunos têm escrito coisas maravilhosas e isso realmente mexe comigo. Se eu era tão boa professora, por que não quero voltar à sala de aula?

Tags:, , ,

A reclamação e as escolhas

27 abr

Eu reclamo todos os dias de ter que ficar em casa. Reclamo dos trabalhos domésticos. Reclamo da falta de independência financeira. Reclamo da falta absoluta de tempo para mim mesma. Sou a encarnação do “mimimi” e o absurdo da reclamação.

Ao mesmo tempo, não consigo mais me imaginar em um trabalho que eu fique longe dos meus filhos o dia todo  ou em outras pessoas passando para eles todos os valores que acredito importantes. Reclamos, mas não tomo atitudes. Talvez porque, inconscientemente, eu ainda queira estar aqui com eles e há um lado meu que não consegue assumir isso.

Aí, que hoje cedo, depois de passar a manhã reclamando internamente, eu vi este vídeo:

E chorei, chorei, chorei. E me lembrei deste outro. (talvez, ateus, agnósticos e não-cristãos sofram um pouquinho, mas a mensagem é muito legal).

Acho que eu me cansei de tanto reclamar.

Bom, eu não me lembro da minha primeira infância. Tenho alguns flashes. Mas, de modo geral, eu não me lembro do quanto minha mãe se dedicou a nós. Meus filhos provavelmente não se lembrarão de todo esse meu empenho. Por outro lado, eu realmente acredito que todo esse amor, toda essa energia que doamos aos pequenos ajuda a fortalecer os alicerces internos de meu filhos.

Se fiz essa escolha, se acredito no valor que isso tem, por que a torno tão pesada? Acho que, por um lado, sinto muita falta daquela independência que a gente tem quando se está trabalhando. Acho que carrego comigo uma desvalorização dessa opção. Acabo me esquecendo do que me motivou ter o cuidado com meus filhos uma prioridade. Passo olhar os tijolos ao invés da catedral, a louça, ao invés das crianças sendo felizes. Preciso parar de reclamar e assumir minhas escolhas. E ser feliz com elas.

 

 

(P.S.: não estou condenando quem trabalha, não estou dizendo que crianças que a mãe trabalham não são felizes, não acho que atitudes diferentes das minhas são piores ou melhores. Essa é apenas a minha perspectiva sobre as minhas atitudes, tá?)

Tags:, ,

A pior mãe do mundo

25 abr

A pior mãe do mundo é aquela que, não só se sente melhor do que as outras, mas faz questão de julgá-las, humilhá-las, fazer com que se sintam mal por terem opiniões distintas.

Não existe maldade maior com uma criança do que fazer com que sua mãe sinta que talvez não seja boa o suficiente – porque as mães, mesmo com seus limites e defeitos, sempre são o melhor que elas podem ser e isso basta para as crianças.

(P.S.: não quero entrar em discussões sobre as loucas que torturam crianças, nem sobre as doidas que as matam, mutilam, etc. Casos da psiquiatria são da psiquiatria. Falo do cotidiano, do possível, do comum.)

Tags:, , , ,

Mais sobre a festa – fotos e inspirações

17 abr

Este post é para mostrar onde busquei inspiração e como ficou na realidade. Algumas coisas ficam bem legais, outras nunca saem do plano do ideal. Ainda assim, vendo a festa, gostei do resultado final.

Eu preciso explicar que, como não contratei ninguém, primeiro, eu tive sorte em contar com a ajuda de pessoas muito queridas na hora da festa. Quando os convidados chegaram, eu ainda estava organizando a decoração e ainda não havia comida pronta (eu nem tinha tomado banho ainda!). Várias pessoas me ajudaram e, assim, as coisas deram certo. Além disso, eu não parei nenhum minuto sequer, correndo de um lado para o outro, preparando as comidas, servindo, recepcionando as pessoas. Acho que, no ano que vem, quero contratar alguém para fazer o corre por mim e, assim, eu poder conversar mais com as pessoas!!!

A festa que me inspirou foi essa aqui, do site Hostess.

Assim que decidi o tema, fui pensar no convite, enquanto juntava ideias para as outras partes.

Inspirada neste convite, fiz o meu.

Inspiração

Como ficou

Para o centro das mesas, cachepôs parecendo cestas de balão. Os cataventos lindos foram feitos pela Joana, do Eu que fiz Artesanato

Do lado esquerdo, a inspiração. Do lado direito, como ficou.

Na parede do salão do meu prédio, eu não podia colar nada. Pensei muito tempo, até que encontrei a solução:

A primeira foto foi a inspiração. A segunda foi o "como fazer". A terceira é o resultado, foi o que fiz.

Algumas fotos da decoração:

Mesa de bebidas

Mesa de doces

Docinhos. Os balõezinhos que enfeitei são de um papel de scrap.

Saquinho-surpresa

Para o chapéu, comprei modelos de papel, brancos, e fiz a decoração. Também inspirada em outro modelo.

De onde tirei a ideia e a minha inspiração Catarina!

O bolo era uma das surpresas da festa. Ele acabou sendo uma surpresa engraçada, já que ficou muito alto e não cabia direito no pratinho, que dirá na pobre espátula…

Inspiração e realidade!

O bolo por fora ficou bonito. Olha só:

Fiz várias outras coisas, como biscoitos de mel em formato de coração, confeitados de arco-íris, os cachepôs com bexigas coloridas, papeizinhos coloridos para as comidas, entre outras coisas. Mas ainda não estou com as fotos… Assim que as tiver, eu as posto aqui. Também entreguei de lembrancinha, lindos balõezinhos imãs, que a Joana fez para mim – gente, ela é mãe da minha comadre, olha a sorte! Como disse no post sobre as dicas (aqui), eu tirei as ideias de vários sites e coloquei-as todas no Pinterest. As fotos daqui vem todas dos meus boards. Caso queira entrar nos sites originais das fotos, é só ver os meu pins lá no Pinterest – eu estou aqui.

Espero que tenham gostado tanto quanto eu!

Tags:, ,

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 505 other followers