
Um cara escreveu sobre as mulheres não usarem mais calcinhas beges. E a minha calcinha bege ficou furiosa lá na gaveta… ou aqui no meu corpo.
Ultimamente, tenho começado a ficar com birra em relação a certos discursos. Não sei, talvez seja a idade, talvez seja o momento, talvez seja a TPM. Quando esses discursos contêm, então, aquele machismo… eu realmente fico furiosa e “subo nas tamancas”.
Aí, o cara resolve escrever que “toda mulher com calcinha bege deve portar um lenço da mesma cor na cabeça”. Gente, sei lá… eu tô muito louca ou é muita imbecilidade numa mesma frase? “Sofia, – irão me dizer os amigos -, mas toda vez você cai no conto do post escrito só para criar polêmica?” Acho que sim.
Eu resolvi escrever porque acho uma ótima oportunidade para reflexão. Algumas perguntas ficaram martelando depois que li o texto do infeliz, porque, sabe, ele realmente tem todo o direito de detestar a calcinha bege, assim como eu acho engraçadíssimo homens de cuecas pequenas e vermelhas. Até aí, tudo bem.
Acho que um dos pontos é a questão da iniciativa da mulher. Quantas vezes eu já não escutei que devemos sempre estar lindas e cheirosas e com um pijama lindo para atrairmos os maridos? Eu mesma já escrevi sobre esses momentos aqui no blog. Só que eu revoltei. Por que a iniciativa (quer dizer, disfarçadamente, insinuarmos que queremos algo com roupas mais atrevidas) tem que ser nossa? Por que não pode rolar tesão com aquele pijaminha confortável? Quantos caras você conhece que tem um pijama mais sexy?
Outro ponto é a questão do lenço na cabeça. Juro que não entendi. Se eu estou usando calcinha bege é sinal de que não quero sexo? Por quê? As mulheres que usam calcinha bege não “merecem” ser “comidas”? Mais essa? Os homens já fazem de nós gato e sapato quando querem. Quantas de nós já não levaram foras e foras porque somos diferentes do padrão que os homens estabeleceram? Juro que não foi a calcinha bege que me fez levar altos foras por aí… A gente continua sendo, para muitos homens, apenas objetos que devem ser apreciados ou não, como se fôssemos só isso mesmo.
O que eu também queria dizer para o moço é que, um dia, a namorada dele também usará calcinhas beges, pijamas velhinhos confortáveis e, nem por isso, terá perdido o apetite sexual. E aí? O que ele vai fazer? Perder o tesão?
A gente fica adulta, se enche de responsabilidades e filhos. A gente tem trabalho, mas a gente também tem casa para cuidar, meia para esfregar, cueca para estender, camisa para passar. Se você não precisa fazer nada disso, bem-vindo a outras classes sociais. Juro que não é muito agradável usar calcinha fio-dental enquanto lava a louça, alimenta criança e põe roupa para bater na máquina. E depois de um dia desses, muitas vezes, o mais gostoso é aquele pijaminha simples que alguns homens teimam em chamar de anticoncepcional. Debaixo dessa roupinha ordinária, tem, sim, um corpo quente e cheio de tesão. Importa mesmo a capa?
P.S.: Em contrapartida a este moço, outro, o Erico Verissimo, do mesmo site, Papo de Homem, escreveu algo brilhante sobre o mesmo tema – as calcinhas beges: “Amor, tesão e calcinhas bege”, aqui.




Outro ponto é que as próprias mulheres podem ser muito machistas umas com as outras. Então, me lembrei lá da 6a série: enquanto as meninas ficavam brigando para ver quem era a mais bonita, a mais popular, a mais isso ou aquilo, os moleques jogavam bola juntos, divertindo-se. Os homens continuam unidos, com seus vídeo-games, futebol, enquanto nós ficamos aqui na blogosfera disputando para ver quem é mais mãe, mais esposa, mais isso ou aquilo.