Mudanças, medos e humor

Toda vez que há uma mudança muito grande em minha vida, eu “piro” que vou morrer logo.

Quando fui passar 3 meses na Tailândia, tinha certeza absoluta de que o avião iria cair. Sozinha no avião, eu chorava tanto, abraçada a uma vaca de pelúcia, que o brasileiro ao lado se comoveu e começou a conversar comigo para eu me acalmar. (Coincidência ou acaso, exatos 3 meses depois, sem ter trocado telefone ou algo assim, encontrei o mesmo brasileiro não só no mesmo voo como sentado ao meu lado. Sabendo do meu medo, ele brincou comigo ao pousarmos em São Paulo, dizendo que não estávamos no Brasil e, sim, em Buenos Aires.)

Em cada um dos nascimentos dos meus filhos, tive muito medo de morrer no parto. No do meu mais velho, fiquei mais nervosa, já que a maternidade ainda era completamente desconhecida para mim.

Depois, quando me mudei para o Rio, ainda ingênua quanto à realidade carioca, achando que tiroteios e violência aconteciam em todos os pontos da cidade maravilhosa, tinha a certeza de que morreria com uma bala perdida. Só Deus e os passantes na rua sabem a minha cara absurda de medo e susto, assim como uma ratinha, andando por aqui nos primeiros dias.

Agora, chegou outra mudança. Acompanhada de um tratamento médico e medicamentoso, acho que tenho lidado melhor dessa vez. Tenho usado algumas estratégias que têm funcionado – não fico pensando no dia da mudança, faço o que tem que ser feito no dia, sem ficar elaborando demais, sempre objetiva e dando um passo de cada vez. Mas ainda não estou curada, se é que há cura mesmo para essa síndrome. E aí que, agora, meu surto diz que vou morrer no caminho para as terras mineiras. Pensando racionalmente, sei que é um absurdo. Ainda mais depois de tomar consciência do meu histórico de loucuras anteriores.

Quando o medo vem, quando a barriga gela, respiro fundo e desvio o pensamento. Ou torno racional o que é emocional. Se nada der certo, faço uma oração e peço a Deus que Ele me dê mais tempo por aqui, para que eu possa curtir mais meus filhos! ;) É preciso aprender a lidar com humor até em situações como essa. Já que, na verdade, o medo da morte é somente um medo do desconhecido…

Dramas de uma mãe sem os filhos

Eu sei que os pequenos irem antes vai ser importante. Eu sei que tenho que aproveitar esta semana sozinha. Mas, mesmo assim, não deixa de doer, eu não deixo de chorar, eu não deixo de ter aquele medo absurdo de nunca mais vê-los. É só uma pequena crise de pânico, é só um drama pequeno. Ainda assim, como dói pensar que vou ficar longe deles.

Mudanças, insônia e a saudade de escrever mais

Vamos mudar. Mais uma vez. De cidade, de estado. Ainda não é de país. Em um mês, deixaremos a cidade maravilhosa.

Tenho tido insônia. Nem sei se é insônia mesmo. Acho que é mais falta de vontade de dormir. Sabe? Quando você até sente que precisa deitar, mas sua cabeça não para e a cama não está tão convidativa? Provavelmente, é por causa da mudança.

Cidade nova, totalmente desconhecida para mim, apesar das várias ótimas recomendações que tive. Encaixotar, procurar casa, achar escola, fazer novas amizades. Tudo com um frio na barriga gostoso, mas bem mais preguiçoso do que quando tinha dez anos e dois filhos a menos…

A nossa Maria

A nossa Maria

Eu tenho tido ideias para posts dia sim, dia não. Mas não tenho conseguido chegar a essa página da minha internet. Primeiro, porque, agora, estou em um projeto – que amo muito: a Dona Maria das Artes. Eu e uma amiga juntamos nossos dotes artesanais e agora fazemos muitas coisas em tecido, mas, principalmente, bonecas de pano. Bonecas de dia, bonecas de noite. Pernas de bonecas, vestidos de bonecas, cabelos de bonecas. Dia e noite. É apaixonante. E aí, eu acabo dedicando parte do meu dia a filhos/casa/marido e a outra parte, às bonecas. É sério, elas são fofas demais. Você pode nos encontrar aqui, na nossa loja do Elo7, ou aqui, na nossa fan page do Facebook.

E entre bonecas, filhos, casa, mudança, pouco escrevo. Quero escrever sobre tudo o que tenho descoberto sobre alimentação industrializada e o que tenho feito sobre isso. Quero escrever mais sobre esse machismo baixo e sem vergonha, disfarçado de “tudo pode no casamento”. Quero escrever sobre a minha pequena estar doente ou o meu moço já estar lendo. Quero escrever sobre as impressões que o Rio de Janeiro me deixou. Mas, não escrevo. Ao menos, eu podia aproveitar melhor a minha insônia.

Por que mesmo eu passei a escrever tão pouco se isso é uma das coisas que me mantém sã?

Da nossa loucura aparente (ou não)

Daí que, como eu já falei diversas vezes, não me sinto muito normal. Me sinto bem diferente, pra falar a verdade. Só que, falando a verdade mesmo, se você me vir na rua, vai me achar a pessoa mais normal do planeta. (Pausa: desde que me mudei para o Rio, notei algo bem estranho. Algumas pessoas costumam me olhar de um modo esquisito, sabe, apertando os olhinhos, como se estivessem reconhecendo alguém? Daí que, outro dia, entrei no metrô e um grupo de jovens começou a falar coisas do tipo “olha, é ela”, “não é a fulana?” e, quando me aproximei, deram muita risada e falaram qualquer coisa do tipo que tinham se confundido. Então, talvez eu pareça normal, mas tive uma fase em que estava parecendo a Carminha na versão pobre, da Avenida Brasil, no último capítulo da novela…)

Passei anos fazendo terapia, tentando me entender, tentando decifrar essa avalanche que me considero. Aí, fiquei doente pra caramba, larguei o emprego, desisti de ser professora, sarei, quis virar mãe em tempo integral (e ganhei o status de dona-de-casa junto). Passei a me sentir bem melhor em muitas coisas. Mas, não. Acho que acabei me tornando mais consciente das minhas dificuldades, dos meus surtos. E comecei a procurar entender o que é isso tudo dentro de mim.

Quando conheci melhor meu marido, comecei a achar que ele tinha déficit de atenção. Durante anos e anos, falava para ele ir ao médico procurar ajuda, porque não era possível alguém como ele. Daí que, alguns meses atrás, caiu em minhas mãos um livro que trata do Déficit de Atenção em Adultos. Lá, a doutora Ana Beatriz apresenta um questionário para ajudar no diagnóstico, ou na procura de um profissional. Como quem não quer nada, sentei ao lado do bem e lhe propus que respondêssemos juntos – quem sabe assim ele não se anima e procura logo uma ajuda, sonhei alto…

A autora diz que das 50 questões, a partir de 35 positivas, pode indicar o DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Qual não foi a minha surpresa ao perceber que eu tive muito mais afirmativas que meu marido! 34. Como assim? Lá fui eu devorar o livro e me identificar com cada linha escrita. Como não tinha certeza da eficiência do livro, pesquisei em diversos lugares sobre o tal DDA. Onde quer que eu lesse sobre isso, eu me identificava. Como eu já havia marcado uma consulta com uma médica psiquiatra para tratar da minha síndrome do pânico, esperei para falar também disso com ela.

Nesses últimos meses, junto com a médica e a terapeuta cognitiva que agora me acompanha, chegou-se à conclusão de que realmente apresento DDA, junto com um Transtorno de Ansiedade Generalizada. A boa notícia é que minha médica é absolutamente contra o tratamento medicamentoso de DDA. Para ela, isso não é um distúrbio e, sim, um modo diferente do cérebro funcionar, assim como ser canhoto. Já a minha ansiedade, por enquanto, tem sido tratada no remédio mesmo, fazer o quê…

Quando converso sobre isso, alguns amigos me perguntam qual é a diferença em saber que se é DDA. Para mim, toda. Passei anos culpando a separação dos meus pais, toda a minha história de vida para justificar meu modo de ser. Depois da terapia freudiana, já não tinha mais desculpas – a gente descasca a cebola e percebe que o problema é a gente mesmo. Mas, aí, é muito peso carregar para si tanta coisa. É um alívio descobrir que a sua loucura tem nome. Que nem você – nem seus pobres pais – tem culpa de ser assim. É só o meu cérebro que funciona de outro jeito.

Não pretendo usar isso como desculpa para minhas falhas – apesar de ser tentador, “olha, me desculpa, esqueci disso porque sou assim” hehehe. Mas, sabe, é ótimo perceber onde eu posso me cobrar e onde eu não posso. O que posso fazer para ajudar a manter o foco e onde não vai adiantar reza braba, remédio, dança do iê-lá-iê pra mudar o que sou.

Voltei assim. Morrendo de vontade de escrever há meses. Sem certeza de que vou escrever sempre, porque estou em projetos que quero muito que deem certo.  Com vontade de jogar conversa fora com as amigas no Buteco…

Tempo

É assim… um tempo.

Quem está acostumado a visitar o blog, deve ter percebido que não tenho postado nada nos últimos dias. Tudo bem que nunca fui de escrever diariamente por aqui. Mas tenho escrito bem menos e, nas últimas semanas, não escrevi nada.

Achei por bem dar alguma explicação. Ainda que eu não tenha milhares de seguidores, algumas centenas merecem uma certa explicação.

A questão é que eu estou passando por uma revolução interna. Não estou no meu inferno astral, nada de grandioso aconteceu. Simplesmente, aos poucos, percebi a quantidade de coisas que quero mudar. Cansei de mim. E isso não é um lamento, é simples constatação.

Não me lembro quando foi que eu me senti diferente pela primeira vez. Acho que desde que me entendo por gente. Não me sinto mais ou menos especial que ninguém, apenas diferente. Dos vários grupos que passei, sempre me identificava com partes, mas nunca com o todo. Não consigo me encaixar em extremos e o caminho do meio, apesar de me atrair, me parece tortuoso. Isso em todos os assuntos. Qualquer um mesmo. Da novela aos livros, da maquiagem aos pelos, dos filhos à vida solitária. Talvez todos nós sejamos assim, talvez, não.

O ponto é que eu percebi várias coisas no meu dia-a-dia que precisam ser mudadas. Eu preciso repensar meu modo de ser. E não é por querer me tornar mais parecido com alguém. É porque vejo no meu cotidiano como minhas atitudes, meu modo de significar a vida pode ser prejudicial algumas vezes para mim e para quem está ao meu redor. Não, eu não estou usando drogas; não, eu não sou uma psicopata.

Percebi como a minha desorganização mental, a intolerância, o excesso de braveza, a falta de vontade em tomar decisões, coisas desse tipo, me fazem mal. Cheguei à conclusão de que preciso me reorganizar internamente. Por isso, tenho participado menos do Facebook, não tenho entrado no Twitter e deixei de escrever. Quando a gente tá fazendo uma boa faxina dessas, é necessário um pouco de silêncio interno.

Espero sinceramente que entendam… e não me abandonem! Prometo que já, já, em breve, logo, logo, volto a escrever mais!!! Enquanto isso, vocês já sabem que estou apenas dando um tempo….