Tudo bem, todo mundo sabe que o formol da escova progressiva pode ser um problema. Mas toda mulher que tem cabelos indomáveis sabe que outras escovas não fazem o mesmo efeito. Meu cabelo não é enrolado. Por sinal, ele é relativamente liso. Mas tem a frente, tem aqueles cabelinhos “bebês” que sobem, ficam ouriçados como raios de sol em desenhos de criança. E isso acaba com a minha (pouca) vaidade.
Então que eu nunca fiz muitas escovas na minha vida. Devo ter feito umas duas progressivas e uma três “inteligentes” e eu estava cansada dos meus bonitos fazendo “ola” na minha testa todos os dias… E aí que eu resolvi que ia fazer uma progressiva e fodam-se todos os problemas que já li e vi com o formol. E fui, linda, feliz em um salão acessível ao meu bolso e muito recomendado.
Durante as duas horas e meia que estive lá, não me senti muito bem, mas sabia que era por causa do produto. Quando voltei para casa, comecei a sentir os efeitos de forma mais intensa: falta de ar, tremedeira, taquicardia, mãos gélidas. Como sou uma pessoa normal, not, subiu aquele desespero: hospedada na casa da minha irmã, sem maridon por perto, com a sister trabalhando e três crianças a todo vapor, o que eu ia fazer? Liguei para várias pessoas para saber se era normal. Comecei a entrar em pânico, até que a super-liga das amigas, tanto por telefone, quanto pessoalmente, entrou em ação. Uma amiga me acalmava por telefone, outra veio nos buscar, outra olhou a galerinha e fomos – eu e uma amiga – para o hospital.
A minha questão – e a de todos com quem conversei e me conhecem – era: até que ponto o que eu sentia era devido à inalação do formol ou era devido à síndrome do pânico. Quanto mais eu pensava, mais nervosa ficava – porque seria injusto demais dar tanto trabalho a tanta gente por causa de uma crise de pânico.
Logo que cheguei ao hospital, informei que era intoxicação por formol e fui rapidamente atendida. O que descobri? Não era uma crise de pânico, era intoxicação mesmo e a melhor coisa que tinha feito era ter procurado ajuda médica, pois poderia piorar ao longo da noite. É lógico que o desespero não faz parte da intoxicação, mas a preocupação era genuína…
Saindo de lá, devidamente medicada e dopada, fiquei pensando no custo que pagamos pela nossa vaidade. Quantas pessoas não passam mal, algumas chegando a óbito, por causa da vaidade? Seja em função da progressiva, ou de uma lipo, ou de uma plástica e outros tantos milagres prometidos pela indústria da beleza?
Por que eu não posso aceitar meus indomáveis cabelinhos? Por que as pessoas precisam julgar minha aparência, ou até mesmo quem sou, por não ter o cabelo considerado mais bonito? Será mesmo que a gente precisa se maltratar tanto para alcançar níveis de beleza absurdos (não que eu tenha sequer me aproximado deles, mesmo com meus lisos cabelos)? A gente condena fumantes, alcoólatras, viciados em drogas, obesos, compulsivos de todas as formas. E a vaidade? Será que quem se propõe a todo tipo de intervenção, correndo o risco de morte, não poderia ser colocado no mesmo hall? E eu não estou me excluindo não, amigos, porque sou fumante e fiz a progressiva.
Na verdade, por que não podemos aceitar quem somos do jeito que somos? (não tenho a resposta, tá, se alguém a tiver, por favor, escreva!)

Tags:formol, intoxicação, reflexão, vaidade








Outro ponto é que as próprias mulheres podem ser muito machistas umas com as outras. Então, me lembrei lá da 6a série: enquanto as meninas ficavam brigando para ver quem era a mais bonita, a mais popular, a mais isso ou aquilo, os moleques jogavam bola juntos, divertindo-se. Os homens continuam unidos, com seus vídeo-games, futebol, enquanto nós ficamos aqui na blogosfera disputando para ver quem é mais mãe, mais esposa, mais isso ou aquilo.

Quem falou dos pedidos?